Audio sem susto: vem aí a Lei do Loudness

Posted by Pomba on 9th outubro 2009 in Sem categoria

lei_loudness

Você já deve ter pulado do sofá de susto, ao entrarem os comerciais da TV e o volume dar um salto abrupto. É a videosurdez dos técnicos das emissoras da TV aberta ou paga. Eles acham que os telespectadores são audioidiotas, e consideram normal a sua falha ao não equalizar os volumes da transmissão de várias fontes, filmes, comerciais e outras atrações.

O assunto foi discutido na feira de engenharia de TV, rádio e telecomunicações Broadcast & Cable, e no paralelo 11º Congresso de Tecnologia e Televisão SET, quando começou a ser esboçada a Lei do Loudness, que pretende regular os volumes para não agredir o telespectador. Autoridades do tema estiveram debatendo:

Carlos Ronconi e Luis Fausto da Rede Globo, Thomas Lund da TC Electronic (Dinamarca), Michael Prouix da Miranda (Canadá), Tony Zare da Evertz (Canadá) e Mathias Bendull, da Dolby (EUA). A moderação foi de Alexandre Sano, do SBT. Pelo menos uma vez Globo e SBT pararam de brigar para dar atenção ao telespectador.

Eles se basearam em pareceres de entidades como a ITU – International Telecommunication Union e a AES – Audio Engineering Society. No encontro latino-americano desta última entidade o tema foi exatamente Audio para HDTV, quando os presentes puderam ouvir sonorizações em até 22 canais de áudio simultâneos.

Para entender o tamanho da encrenca, o leigo precisa saber – e ouvir – que o velho estéreo já está no bico do corvo há anos. Apenas 2 canais de áudio, o tecnicamente conhecido 2.0, já é uma raridade nas salas dos telespectadores brasileiros, e poucos têm sistemas de home theater com o 5.1, com seis canais de áudio.

Além da limitação do número de canais, as variações de volume esquentam as orelhas de muita gente boa mundo afora. Um canal da Coreia – a QOOK TV – está testando um sistema chamado Linear Acoustic, que gerencia os volumes de transmissão com um monitor chamado LAMBDA, que por sua vez usa o sistema Dolby para corrigir as diferenças de áudio.

O sistema é equipado com controles múltiplos de loudness, mixers e outros periféricos, que detectam automaticamente os sinais da programação de TV, e os enviam para uma saída 5.1, seja a origem um estéreo comum, ou mesmo uma decodificação de até 16 canais de áudio, com direito a encoders Dolby Digital (AC-3) e outras firulas.

Fisicamente, os sinais entram por um conector de 9 pinos serial, ou são extraídos dos 16 canais por uma entrada HD-SDI. O audio e vídeo são analisados e monitorados pelo protocolo ITU BS.1770. Qualquer canal, par de canais ou mixagens são monitorados por poderosos amplificadores, subwoofers, e seguem por saídas balanceadas ou AES.

A NOC – US Network Operations Center disponibiliza em seu site um video com 3 exemplos com aplicação do Dolby E com saídas em 5.1, com áudio e vídeo nos mesmos moldes da TV coreana. Os exemplos mostram como o uso da tecnologia Dolby facilita as implementações para a transmissão de áudio em tempo real.

Violeta de Gainza em Sampa

Posted by saulowan on 5th agosto 2009 in Sem categoria

violeta_02

Esteve em São Paulo nos dias 1 e 2 de agosto a renomada psicopedagoga argentina Violeta Hemsy de Gainza, uma das maiores especialistas em educação musical do planeta. Violeta iniciou sua formação com a licenciatura em Música (Piano) na Universidade Nacional de Tucumán. Especializou-se em educação musical no Teacher’s College da Universidade de Columbia, nos EUA.

Graduou-se também em Psicologia Social, na Primera Escuela Privada de Psicologia Social Enrique Pichon Rivière, e estudou Eutonia com Gerda Alexander na França em 1976 e na Dinamarca em 1982 e 1983. Foi presidente do FLADEM – Foro Latinoamericano de Educación Musical de 1995 a 2005. Tem mais de 40 títulos publicados, envolvendo pedagogia musical, didática de instrumentos, improvisação e musicoterapia.

Foi professora de Didáctica Musical y Técnicas de Improvisación na Universidade de La Plata, membro da Comisión Asesora de la Carrera de Musicoterapia da Universidade de Buenos Aires, do ISME – International Society fos Music Education, presidente da Asociación Argentina de Musicoterapia, e diretora da Biblioteca Pedagógica de la Editorial Guadalupe de Buenos Aires.

Realizou workshops e eventos sobre educação musical em praticamente todo o mundo, e na sua passagem por São Paulo, convidada especialíssima da CAEM – Central de Apoio às Escolas de Música, para o 5o. Encontro Nacional das Escolas de Música, matou a cobra e mostrou o pau, convidando voluntários da platéia sem qualquer informação musical para realizar uma oficina aqui documentada em vídeos.

No início dos trabalhos, Violeta ressaltou o papel da integração dos alunos, mostrando a necessidade da sua aplicação na educação musical, além da inclusão social dos alunos.

Em seguida fez uma panorâmica da educação musical do jardim de infância à universidade, falando do que ocorre nos países que têm a música na escola, e do caso do Brasil.

Na oficina propriamente dita, usou instrumentos musicais de brinquedo para que os participantes iniciassem sua familiarização com o som, de modo progressivo.

Ajudada pela platéia – composta de professores e pedagogos musicais – fez os voluntários solfejarem, entoando com alguma dificuldade sequências de notas.

O resultado final foi surpreendente, com Violeta dirigindo processos de improvisação acessíveis a qualquer leigo, tendo como resultado composições consistentes.

Reclamando do pouco tempo que teve para realizar seus trabalhos, encerrou a apresentação na manhã do sábado, dia 1 de agosto.

Música & Mercado

Posted by saulowan on 21st julho 2009 in Sem categoria

MM

Uma revista que está absolutamente imperdível para quem quer se situar no mercado da música nacional, lojistas, distribuidores, eventos e todo o cotidiano deste importante escalão do cenário sonoro tupiniquim é a Música & Mercado, comandada pelo agitador Daniel Neves, se destacando neste microscópico universo editorial especializado.

Música & Tecnologia

Posted by saulowan on 21st julho 2009 in Sem categoria

musitec

Lígia Diniz deixa o comando jornalístico da Revista Música & Tecnologia, depois de concluído um processo de remodelação gráfica da publicação. Quem assume o timão do navio comandado pelo velho lobo do mar Sólon do Valle é André Iunes Pinto, do blog Overdubbing. Só uma pergunta: o que fazem Sangalo e Brown na capa de uma revista de música e tecnologia?

Musical Merchandise Review

Posted by saulowan on 21st julho 2009 in Sem categoria

MMR_july

A edição de julho da revista MMR – Musical Merchandise Review - já está online, com destaques para o perfil do dealer norte-americano, a edição de verão da NAMM e, ao contrário dos problemas financeiros que o estado da Califórnia enfrenta, mostra céu de brigadeiro para a sua indústria musical. Schwarzenegger que se cuide.

Bags Madarozzo

Posted by saulowan on 21st julho 2009 in Sem categoria

madarozzo1

Os bags ingleses Madarozzo estão em alta no segmento. Agora distribuídos com exclusividade nos EUA pela Mr. Bagz, depois de um acordo na NAMM de inverno entre Martin Ritter, CEO da Madarozzo e Jeffrey Nixon, proprietário da Mr. Bagz. Os produtos custam de 20 a 70 dólares, nas linhas G0010 e G0020, e aliam um visual retrô à praticidade.

Reforma da Rouanet na boca do forno

Posted by saulowan on 7th julho 2009 in Sem categoria

juca01

A chamada reforma da Lei Rouanet, de incentivo à Cultura, está nos finalmentes no Ministério da Cultura. No último dia 1 de julho de 2009 estiveram reunidos Alfredo Manevy, secretário executivo do MinC, Roberto Nascimento e José Luiz Herencia, secretários de Incentivo à Cultura e Políticas Culturais, assessores e representantes do setor.

A turma apreciou as cerca de duas mil contribuições da consulta pública a que foi submetido o texto da reforma. Juca Ferreira disse que “nós tratamos a consulta pública não como algo ‘pro-forma’, todas as contribuições estão sendo tratadas de modo sério”. Os resultados virão a público e ao Legislativo até agosto, segundo o MinC.

Para fechar com chave de ouro a fase de consulta pública da reforma da Lei Rouanet, uma polêmica envolvendo Caetano Veloso e o apoio do MinC ao lançamento de seu novo CD levantou dúvidas sobre a necessidade do Ministério bancar artistas famosos. Não apenas Caetano, mas Ivete Sangalo e Maria Betânia vieram à baila. Haja baianice.

Uma das questões recorrentes na reforma, é o fato da região sudeste concentrar a maior parte dos subsídios oferecidos. Resta saber se o ministro pretende deslocar o eixo de patrocínios um pouco mais para cima, para a Bahia. Afinal, na falta de Antônio Carlos Magalhães, alguém tinha que cuidar da cultura da terrinha boa

No dia 13 de junho de 2009 a Folha de SP publicou entrevista com Juca, repercutindo o caso. No dia 7 de julho o ministro estranhou a posição de Luiz Nassif, um dos poucos jornalistas aptos a escrever sobre o assunto, pois reune conhecimentos de Música e de Economia necessários para tanto, ao contrário dos “especializados” nacionais.

ENTREVISTA DE JUCA FERREIRA À FOLHA DE SP

FOLHA- O sr. vai rever o veto a Caetano Veloso? JUCA FERREIRA – A produção de Caetano entrou com o recurso, que vai ser analisado pelo ministério. Estou acompanhando. Evito ao máximo rever decisões da CNIC. Só quando ocorre um erro muito contundente procuro chamá-los à razão.

FOLHA- Que erro foi esse?
FERREIRA – O que houve é o seguinte. Não é possível aplicar um critério para um artista e não aplicar para outro. A lei atual não tem nenhum critério que diga que os artistas bem-sucedidos não podem ter seus projetos aprovados, e nem a nova deverá ter. No ano passado, quando eu intervim para aprovar o show da Maria Bethânia [a CNIC também tinha negado acesso da cantora à Rouanet], já tínhamos aprovado projetos da Ivete Sangalo, artista mais bem-sucedida comercialmente em todos os tempos. Não podemos sair discricionariamente decidindo, sem critérios legais.

FOLHA – A empresária Paula Lavigne pressionou-lhe para rever a decisão sobre Caetano?
FERREIRA – Ela não fez nenhum sauê, apenas ligou para mim e perguntou qual critério tinha sido utilizado para Caetano que ela não percebia que tinha sido usado para outras pessoas. Eu, da mesma maneira que ela, também estranhei. Eu e Caetano nem tratamos do assunto.

FOLHA- Sobre o que o senhor conversou com Caetano?
FERREIRA – Falamos de uma série de coisas, menos do projeto. Eles [Caetano e Paula Lavigne] têm agido com uma delicadeza enorme. Eu é que estou mobilizado porque esse assunto surge neste momento final de discussão para a reforma da Lei Rouanet. Estamos ganhando a opinião pública, trazendo os artistas para uma escala de confiança maior. E não é justo que [a CNIC] tome essa decisão. Podem estar querendo me atritar com Caetano. Estão tentando arregimentar artistas consagrados contra a reforma.

FOLHA – O senhor diz que não há critério legal para negar o projeto de Caetano Veloso. Se não existe critério, por que musicais como “Peter Pan” e “Miss Saigon”, e exposições como “Leonardo da Vinci” e “Corpo Humano” foram negados?
FERREIRA – Não vou aqui discutir casos.Frequentemente há erros, eu tenho dito isso. É justamente a falta de critérios que cria ambiente para julgamentos subjetivos. Um dos objetivos da reforma da lei é adotar critérios previamente legitimados pela discussão pública.

FOLHA – Não há uma contradição entre o espírito da reforma da Lei Rouanet, baseada no uso de dinheiro público para quem precisa, e a decisão de estender a lei a Caetano, um artista consagrado?
FERREIRA – De modo algum. O show já está em turnê, cobrando um preço. Seus produtores se dispuseram a reduzi-lo para pouco menos da metade se for incorporado dinheiro público. Ao que parece, o ingresso cairia para R$ 40 inteira, e R$ 20 meia. Isso possibilita a ampliação de pessoas na plateia. Atende a uma demanda nossa, a de que um artista bem-sucedido amplie seu público. Não é contraditório. Queremos uma política cultural sólida, mas não faremos isso sem os grandes artistas brasileiros. A única coisa que apontamos é que, da maneira como a lei é hoje, os artistas novos, de diversos Estados, não têm acesso à lei. Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação de irmã Dulce nem de Madre Teresa de Calcutá. Um artista conhecido pode ter dificuldade de conseguir patrocínio para uma obra experimental, ou pode ser do interesse público abaixar os preços de um espetáculo popular. Deve-se avaliar economicamente cada projeto, o que hoje a lei sequer prevê. A discussão não está aí.

FOLHA- Qual é a discussão?
FERREIRA – Mais de 20% dos recursos da lei vazam por meio de serviços de “garantias”, assim, com aspas, de aprovação de projetos no Ministério e de captação em departamentos de marketing de empresas. A sociedade não aguenta mais negociações por baixo da mesa.

POST DE JUCA FERREIRA NO BLOG DE LUIS NASSIF

07/07/2009 – 07:00
A palavra do Ministro da Cultura
Por Juca Ferreira

Nassif,

Você sabe da admiração que tenho por sua trajetória na imprensa brasileira; sua visão crítica apurada e sua contribuição para certos temas. Quando estive em seu programa de Tv, faz uns quatro anos, eu lhe disse que tinha guardado no meu arquivo pessoal uma série de artigos seus de mais de dez anos, sobre a importância econômica da música popular brasileira, nos quais você dizia não entender por que o governo não incluía a música brasileira na pauta de exportação, como uma mercadoria de alto valor agregado e espontaneamente de grande aceitação.

Confesso que não o reconheci nos comentários que você fez sobre minha entrevista para a Folha de São Paulo publicada no dia 13 de junho (clique aqui). Tenho enfrentado um debate público importante para a cultura brasileira e mesmo para a democratização e modernização do Estado brasileiro. Afinal de contas, enquanto o ministério tem apenas 20% do total dos recursos disponíveis para serem aplicados no fomento e incentivo cultural, a lei, como é hoje, disponibiliza R$ 1,3 bilhão, ou seja, nada menos que 80% dos recursos disponíveis -para serem aplicados sem critérios públicos. Para terem sua aplicação definida pelas empresas.

Nas condições atuais, quem define em última instância o que tem mérito para receber esses recursos são os departamentos de marketing das empresas. Os resultados nesses 18 anos são desastrosos; os números, escandalosos; 3% dos proponentes ficam com mais da metade desses recursos; mais de 80% vai para duas cidades apenas, São Paulo e Rio de Janeiro -e, mesmo assim, para bem poucos nestas duas cidades; durante esse tempo, menos de 5% do dinheiro que foi disponibilizado é dinheiro privado. Vamos parar por aí, apesar de que outros números podem reforçar esse diagnóstico.

Pois bem, passamos seis anos discutindo essa realidade até submetermos à consulta pública nossa proposta de mudança da lei. Recebemos mais de duas mil propostas de aprimoramento do texto, o que representa, sem dúvida, um sucesso. Estamos trabalhando com essas propostas: tabulando, identificando a que aspecto cada uma dela se refere, analisando sua pertinência.

Seria um desrespeito se não agíssemos assim. Pode ser comum no Brasil se estimular uma consulta apenas pró-forma. Mas nós não podemos cometer esse erro. Primeiro porque seria um desrespeito com as pessoas que atenderam nosso chamado ao diálogo e, além disso, porque temos a convicção de que boa parte dessas contribuições permitirão o aprimoramento do texto; seria uma burrice desperdiçarmos essa oportunidade.

Por isso eu não posso aceitar, como você afirma em seus comentários, que eu perdi naquela entrevista uma boa oportunidade de explicitar os critérios. O que era nosso ponto de partida, sem contar com essa contribuição cidadã, eu já disse dezenas de vezes, pelo menos, e toda nossa atuação está orientada por esses critérios. Desde 2003, definimos que as ações do Ministério da Cultura seriam pautadas por três dimensões:

- A cultura como fato simbólico inerente à condição humana -portanto, uma necessidade; a cultura como direito social -daí, a disponibilização do acesso a todos os cidadãos brasileiros, gerando obrigações para o Estado; e a cultura como fenômeno econômico, que ganha cada vez mais espaço no PIB das economias contemporâneas.

Ver a cultura por apenas um desses três ângulos é limitar esse imenso território que, no Brasil, é capaz de gerar manifestações tão ricas e diferentes umas das outras.
Sob esse amplo ponto de vista, o governo federal tem pautado suas ações na área pelo objetivo de abarcar a diversidade da cultura brasileira – pontos de cultura, cultura digital, manifestações tradicionais, reconhecimento do patrimônio imaterial, proteção do patrimônio material, apoio ao circo, teatro, dança, artes visuais, bibliotecas, estímulo à leitura, música popular, conteúdos para TV, cultura erudita, videogames, paradas gays, Bienal de São Paulo, dança contemporânea… Todas as linguagens e manifestações têm dialogado com o Ministério da Cultura para construir políticas públicas -e as temos apoiado na medida do possível.

Por isso é doloroso para nós do Ministério da Cultura saber que, enquanto a Funarte tem em torno de R$ 40 milhões para atender as demandas e necessidades das linguagens artísticas, dos seus criadores e produtores, repassamos uma soma maior do que essa para algumas instituições criadas por grandes empresas e bancos.

Não é possível atender a todo o território nacional através desse mecanismo da renúncia fiscal. E a falta de critérios públicos não permite dosarmos o quanto deve ser empregado em cada modalidade de ação. Mais de 90% dos municípios brasileiros não tem um cinema sequer, um só teatro ou centro cultural, e a cada dia aumenta nossa capacidade de produção fílmica, sem ter, entretanto, quem a assista.

É com essa mesma mesma visão abrangente que propusemos a mudança da lei. Uma proposta de quem geriu a lei nos últimos seis anos -e, portanto, conhece bem suas qualidades e defeitos, e onde é necessário ser aperfeiçoada.

Um dos problemas da atual Lei Rouanet é que ela não tem critérios. Música clássica tem 100%; música popular, 30% -qualquer que seja o projeto. Essa é a regra. Aplicar uma discricionariedade em relação a um ou outro músico apenas expõe de maneira didática que a falta de critérios objetivos na lei leva à análise subjetiva de seus gestores, sejam quem forem. Por isso, estamos propondo critérios objetivos, baseados nesses três entendimentos do que é cultura.

Esse é um ponto da discussão. O segundo ponto é: um artista consagrado necessita de dinheiro público para realizar suas atividades? Se a pergunta for simplesmente essa, a resposta é: não; ele pode se viabilizar no mercado, sem utilizar recurso público. Mas, se a agregação de dinheiro público para parte do projeto permitir um maior acesso ao público, a resposta será: sim; porque desta maneira cumpriremos um dos preceitos fundamentais, o de acessibilidade. Além do mais, se analisarmos sob o ponto de vista econômico, quem vende e desperta interesse do público é quem pode sustentar uma economia cultural.

Ainda com relação ao uso de recurso público visando acessibilidade, mais uma vez não reconheço sua habitual perspicácia no comentário “espetáculo popular no Credicard Hall é dose”. Afinal, se o espetáculo se viabilizar financeiramente obviamente os produtores não terão o mínimo interesse em checar se a origem do dinheiro que entra em seu guichê é integralmente do espectador ou se parte dele veio de recurso público.

Em função disso tudo, entendo que a lei deve servir para todos -mas tratar o assunto de forma simplista é um erro e, sinceramente, próximo do demagógico. Agir assim é matar o espírito da lei em nome apenas da letra rasa da lei.

Juca Ferreira
Ministro de Estado da Cultura

O que têm em comum Ivete e Wilson?

Posted by saulowan on 6th julho 2009 in Sem categoria

Wilson Sukorski trabalhou entre o final de junho e começo de julho com agenda digna de uma Ivete Sangalo, 3 espetáculos em uma semana. Para um músico experimental contemporâneo brasileiro, o fato é digno de Guiness. Mas não dá ainda pra comprar avião, como a moça canária. Não tem importância, o Urubu está lançado. Explico:

Code::Name Urubu é o nome do DVD que Wilson lançou na última de suas apresentações, com áudio 5.1, mixado no Estúdio LabMIS por ele mesmo e Victor Hugo Guidini, masterizado na Midiamental e editado pela Demolições Musicais, a editora do próprio, que assina todas as composições, e mais algumas coisas.

Instrumentos? Violão, guitarra, teclados, theremin e alguns instrumentos criados pelo próprio, como a lira e o baixo tótem. As outras coisas são a programação, a concepção visual, tratamento de imagens e montagem. Aguardem breve uma análise em profundidade da obra, que precisa ser digerida com muito mais atenção do que as breguices da moça canária aludida.

Acima, uma amostra do show de lançamento do DVD que tem 19 músicas e 81 minutos de duração, compostas e gravadas durante 2008. Os vídeos foram criados em fevereiro de 2009, e acompanham cada música sem ilustrá-las. Apenas se relacionam temporalmente em 6 sub-seccionamentos áureos – 0,618034 sobre suas durações. Entendeu, Ivete?

“Especializado(a)s” continuam como sempre…

Posted by saulowan on 3rd julho 2009 in Sem categoria

orianthi

Como sempre, a medíocre imprensa dita especializada em música no Brasil não sabe escrever, não sabe ouvir, não sabe nada. É por isso que eu sempre achei que diploma de jornalismo e merda atualmente são a mesma coisa. Mais vale o (a) cara ter conhecimento de algum assunto, aprender a escrever ou a falar e ganhar experiência nas redações.

Como sempre aproveitando a morte, a tragédia ou a desgraça que se abate sobre alguém ou alguma coisa, a imprensa especializada em diploma deitou e rolou em cima da morte de Michael Jackson, se esquecendo de que o cara, para realizar seu trabalho, para o bem ou para o mal, precisa de uma banda, com instrumentistas.

Como sempre, em vez de discorrer sobre os diversos músicos que tocaram para Michael Jackson cantar e dançar – como um tal de Eddie Van Halen (será parente do Van Helsing, o caça-vampiros?…) preferiram tentar associar drogas com a morte de artistas, pra ver se assustam as pacatas famílias, e estas proibam seus filhos de, cruz credo, tocarem guitarra.

Como sempre, os jovens vão continuar a seguir em frente, passando por cima dos cretinos travestidos de críticos e das aspirantes a moça-do-tempo que espalham bobagens pelas páginas e pela atmosfera de broadcasting de todo o planeta, tentando falar ou escrever sobre, repito, o que não sabem e nem querem ouvir.

Como sempre, continuam a surgir talentos como o da guitarrista Orianthi Panagar, que aparece nos vídeos dos derradeiros ensaios de Michael Jackson. Com 24 anos ela tem um currículo musical que dá de 30 a 0 no pseudo curriculo de qualquer jornalista especializado em diploma brasileiro. Educar é repetir (Piaget). Vamos ver se alguém fala dela agora…

wilson.sukorski-code::name.urubu

Posted by saulowan on 2nd julho 2009 in Sem categoria

wilson_DVD

Wilson Sukorski está para a Música assim como o beijo na boca está para o sexo. É um portal para entender a arte invisível, fora dos parcos parâmetros do Fordismo Cultural. Apoiado pelo Premio Petrobrás Cultural, apoio do LabMIS e do SESC SP lança seu DVD de áudio no SESC Vila Mariana sexta-feira, dia 3 de julho às 20:30 hs.

O show terá participação de Vanessa Carvalho e Teo Ponciano, este último participante do grupo oTaoDoMinf, recentemente agraciado como o 5o. Premio Sérgio Motta de Arte e Tecnologia e tendo Wilson como bandleader. O nome do DVD é CODE::NAME URUBU, e uma boa idéia seria uma segunda edição em 22.2 UHDTV, mas já vem em 5.1…